• Home »
  • Dicas »
  • [Guia de Sobrevivência – Amplificadores Valvulados] Loop de efeitos do amplificador: como funciona?

[Guia de Sobrevivência – Amplificadores Valvulados] Loop de efeitos do amplificador: como funciona?

Entenda o funcionamento do loop de efeitos do amplificador de guitarra

 

Loop de efeitos do amplificador: como funciona?Loop de efeitos do amplificador: como funciona?O que é um loop de efeitos?

O loop de um amplificador é o meio existente na grande maioria dos modelos de média e alta potência para inserir efeitos entre a etapa de pré (preamp) e a etapa de potência (poweramp ou simplesmente power). Nos modelos de baixa potência era artigo raro, mas de alguns anos pra cá, mais fabricantes incorporam este recurso aos seus amplificadores.

 

E qual a vantagem desse procedimento?

Há muitos guitarristas que preferem utilizar a distorção do amplificador, especialmente, quando o mesmo foi escolhido “a dedo”, após longo período de pesquisa e testes. No mesmo sentido, há pedais que funcionam melhor depois das distorções, especialmente no caso de amps com muito ganho (high gain). Exemplo disto são os pedais de delay e reverb, que, v.g., quando colocados antes de um amplificador de alto ganho acabam embolando muito o som.

Então a solução para esta questão é o loop de efeitos, pois permitirá ao guitarrista inserir seus pedais de delay e reverb, p. ex., depois da distorção do amplificador (produzida pelo preamp).

 

Diagrama do loop de efeitos

Para facilitar o entendimento de um loop de efeitos no amplificador de guitarra,  seguem dois pequenos diagramas (resumidos) do caminho do sinal de guitarra.

 

Amplificador sem loop de efeitos

Guitarra -> Pedais -> Preamp -> Power -> Alto-falante

Veja que neste caso a única possibilidade de inserção de efeitos é no input do amplificador, ou seja, antes do pré. Isto no caso de um wah-wah, booster de ganho (entenda o funcionamento dos boosters neste outro artigo) ou outra distorção não haverá problema. Se o amp é low gain e o guitarrista usa mais distorções de pedal, também não vemos nenhuma necessidade de loop.

Quando o assunto são os pedais de modulação, aí o “clima esquenta”, pois há diversos guitarristas que preferem chorus e phaser antes da distorção. Para estes, um amp sem loop não seria um problema. Outros tantos só utilizam modulações após os drives.

Sobre a ordem dos pedais, recomendo a leitura destes dois artigos, um escrito por mim e outro pelo meu “brother” e colunista aqui da Central da Guitarra, o guitarrista Raphael Ticle:

a) Qual a ordem correta dos pedais de efeito na guitarra? Central do Rock explica – por Elvis Almeida;

b) Pedais de efeitos para guitarra: existe ordem correta? – Por Raphael Ticle.

 

Amplificador com loop de efeitos

                                                Pedais 2
Guitarra -> Pedais 1 -> Preamp -> Loop Send |^            v| Loop Return -> Power -> Alto-Falante

Percebe-se que o loop é um recurso interessante, principalmente quando é bem construído pelo fabricante e bem usado pelo guitarrista, pois amplia as opções de configuração dos pedais de efeitos, permitindo a distribuição dos mesmos antes e depois do preamp.

 

Classificação quanto ao tipo de funcionamento

Neste ponto há basicamente dois tipos, o ativo e o passivo

Loop ativo

Também chamado de buffered (porque contém um buffer), o loop ativo além de casar a impedância de saída do pré com a impedância de entrada do pedal, também recupera as perdas sofridas pelo sinal ao passar por um circuito externo.

Loop passivo

Este tipo não “regenera” o sinal da guitarra, fazendo somente o casamento de impedâncias. Este tipo de loop tem o problema de perda do sinal.

 

Classificação quanto ao tipo de componente ativo.

Loop valvulado

Sempre digo que deve haver coerência no projeto de um amplificador. Mais que possuir um loop de efeitos, o mesmo deve ser bem projetado e adequado ao tipo de amp. É no mínimo estranho um loop transistorizado ser instalado de fábrica num amplificador valvulado. Não que não funcione bem, mas é que talvez, o trabalho que irá demandar para fornecer a tensão adequada (muitas vezes com mais um secundário do transformador de energia, ou com gambiarras) não valerá a pena. Por isso, com maior frequência, vemos loops transistorizados em amps valvulados mais nos casos de adaptações de modelos clássicos que não tinham loop no projeto original. Muito raramente, o fabricante decide economizar 1 (uma) válvula, quando o amp é todo valvulado, pois o acréscimo no custo de fabricação é muito menor que os problemas que poderão surgir (ruído é um deles).

Loop transistorizado

Da mesma forma, mais estranho ainda seria fazer um loop valvulado num amplificador transistorizado. As adaptações no circuito para que funcionasse não justificariam mesmo. Fazer um buffer transistorizado num amp que já tem tensão baixa (como é o caso de amplificadores solid state) é mais barato e seguro.

 

Classificação quanto ao caminho percorrido pelo sinal

Serial (em série)

Este é o loop de efeitos mais tradicional entre os amplificadores de guitarra. Nele o sinal é integralmente retirado do preamp (lógico que tem de existir o casamento de impedâncias no mínimo) jogado para o(s) pedal(is), retirado deste(s) e reinjetado no power.

Parallel (em paralelo)

O loop de efeitos paralelo não interrompe o sinal, ele retira o sinal do preamp paralelamente ao que vai para o power e manda para os pedais. Depois o sinal que vem dos pedais não é diretamente injetado na etapa de potência. Neste tipo de loop, existe um controle de mistura (mix, blend… etc.) para que o guitarrista possa dosar a quantidade de sinal puro com a quantidade de sinal vinda dos efeitos ligados no loop.

Particularmente, e respeitadas as opiniões em contrário, eu não gosto deste tipo de loop, pois no caso de um pedal de reverb ou delay, p. ex., o seu efeito não passa de um controle extra de nível (level) do(s) pedal(is).

 

Assista ao vídeo que fiz para o grupo Amplificadores Valvulados sobre o tema:

Outras características dos loops de efeitos

Também há loops com controle de nível para permitir que o guitarrista impeça (ou controle) a saturação do sinal na entrada do pedal. Outros possuem chave liga/desliga no painel traseiro ou no footswitch.

Em contra-ataque existe aqueles que já possuem controle da saturação do sinal já ajustado de fábrica para a maioria dos pedais de efeito do mercado. Também tem aqueles que o circuito foi projetado em conjunto com o amplificador de forma que possui transparência com o timbre. Em outros amplificadores, o loop faz parte do timbre (como é o caso do Soldano SLO100, onde um bypass total do loop vai alterar significativamente o timbre do amp).

 

Exemplo de classificação do loop de efeitos de um amplificador

Para exemplificar a classificação acima exposta, escolhemos o recém lançado amplificador valvulado Pedrone Pegasus 18+, pois didaticamente irá colaborar com o nosso texto.

EXEMPLO DE CLASSIFICAÇÃO
DE UM LOOP DE EFEITO

Amplificador Pedrone Pegasus 18+

Quanto ao funcionamento: Ativo(buffered)
Quanto ao componente ativo: Valvulado (1 válvula exclusiva para a função de buffer)
Quanto ao caminho do sinal: Serial(em série)
Outras características: Transparente e sempre ligado
Gostou do Amplificador Pegasus 18+?

Clique aqui para COMPRAR

Conclusão

Na prática, o guitarrista não vai à loja de instrumentos escolher um loop de efeitos, mas sim um amplificador, que pode ou não vir com o loop.

Considerando suas preferências e estilo, a primeira pergunta que você deve fazer a si mesmo é: “eu preciso de um loop de efeitos?”

Se a resposta for positiva, a partir daí, conhecendo os tipos de loop existentes no mercado, irá adicionar mais esta questão técnica na sua pesquisa e escolha do amplificador.

Seja coerente também na hora de comprar, e cuidado com a picaretagem, pois alguns fabricantes adicionam loops que não passam de “desvios de rota”. Tecnicamente, isto não pode ser chamado de loop. É mais do tipo preamp out e power in, pois não há qualquer casamento de impedância, recuperação das perdas… etc.

Portanto, analise sempre o custo-benefício de um amp, mas acima de tudo teste primeiro, confie em seus ouvidos e evite arrependimentos.

 

Um abraço e até o próximo artigo.

 

Elvis Almeida

Elvis Almeida