[Artigo] Como escolher meu pedal de distorção?

Siga estas dicas para aprender a comprar melhor!

*Artigo originalmente publicado na Central do Rock 

 

Como escolher meu pedal de distorção e overdriveExiste um melhor?

Frequentemente, amigos, alunos e leitores me perguntam: “qual o melhor pedal de distorção”?

Quase sempre eu sempre respondo que “é aquele que você gosta”, ou às vezes, “é aquele que você tem” (risos).

Ocorre que não existe o melhor. A escolha de um pedal envolve uma enorme quantidade de requisitos objetivos e subjetivos, que variam de acordo com o estilo musical e gosto do guitarrista.

Nestas duas décadas em que toco guitarra, mudei muito de opinião quanto ao timbre ideal. Por último, cheguei à conclusão de que gosto da maioria dos pedais, para não dizer todos. Cada um tem seu “colorido”, sua própria “voz” e identidade.

Como é economicamente inviável ter todos… criei algumas regrinhas para me ajudar a escolher, considerando o som que estou buscando no momento.

A propósito, quando falo pedal, me refiro às stompboxes, ou seja, efeitos individuais ou no máximo a junção de alguns. Os multiefeitos são um caso à parte. Apesar de muitos pontos coincidirem, outros são mais específicos. Vamos lá:

Quer saber mais sobre o funcionamento de um overdrive?
Leia também a série de artigos “[Como Funciona] Pedal de Overdrive ou Distorção”:

Parte 1
Parte 2
Parte 3

 

I – Robustez/Durabilidade;

Um pedal frágil e que não transmita confiança, de cara é descartado da minha lista. Um equipamento, para ser usado profissionalmente tem que suportar o uso intenso, pois, na estrada, ele estará sujeito a todo tipo de intempérie.

 

II – Equalização Fixa;

Apesar da maioria dos pedais de distorção, possuírem ajustes de equalização, existe uma etapa do circuito, que determina a vocação timbrística do efeito, melhor dizendo, seu voicing. Normalmente são capacitores e resistores fixos situados no primeiro estágio da stompbox, que define se ele terá mais presença de graves, médios ou agudos. É por isso que mesmo, possuindo os mesmos controles, percebemos que certos modelos possuem mais graves, agudos que outros… etc.

É importante salientar, que aqui o gosto pessoal, ou o estilo musical que pretende reproduzir são fundamentais para te orientar na escolha. Para decidir, costumo colocar os controles de equalização em 12 horas (tanto do pedal, quanto do amplificador), para interferir o mínimo possível no timbre. Obviamente, mesmo com os controles em 12 horas, a equalização ainda atua no timbre, pois não há bypass do circuito tonal.

 

III – Equalização Ajustável;

Os controles de equalização (normalmente Tone, Graves, Médios, Agudos… etc.) são posicionados no último estágio do pedal, ou imediatamente antes o último estágio. Costuma me influenciar na compra, tanto a quantidade de controles, quanto a atuação deles na variação timbrística.

Neste ponto, o teste que costumo fazer é ir ajustando os controles de equalização um a um, depois combinando um com o outro, prestando a atenção nas possibilidades de configuração e versatilidade que o pedal irá me oferecer.

 

IV – Nível de Distorção/Controle de Ganho;

Neste ponto, costumo verificar a quantidade de distorção nos níveis mínimos e máximos do controle de drive (ou gain). O ideal é verificar se no mínimo o som fica limpo, se dá um crunch… etc.

Dependendo do que você busca, será mais recomendável um ou outro tipo. No máximo, você deve perguntar se a quantidade de drive lhe é satisfatória, se tem o punch, dinâmica, compressão e sensibilidade que você está buscando. Tem pedais que ao aumentar o ganho, o volume final também aumenta.

Outros pedais, o ajuste de volume é unicamente no level (output, master… etc.). Se você é daqueles que ajusta o ganho em níveis diferentes a cada música, a variação de volume pode ser um problema. Do contrário se deixa o ganho (drive) fixo, não haverá nenhum incômodo. Para quem deseja usar o pedal como boost, a variação de volume no ganho pode ser até um recurso interessante.

 

V – Definição do Drive;

Existem pedais com ganho “estratosférico”, mas que embolam bastante o som nos níveis mais altos. Eu busco conciliar os dois requisitos, ganho elevado, sem abrir mão da definição.

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VI – Resposta e “granulação” do Drive;

Tem pedais que possuem uma resposta mais rápida, outros mais lenta. Para cada estilo musical, um tipo é desejável. Quanto à granulação, há distorções que são como grãos de areia, ou seja, muito estridentes. Em outras a granulação é maior. Por isso, eu costumo fazer uma analogia com o som de um copo de alumínio cheio de areia. Quando maior os grãos, mais grave e lento será o som. Quanto menor, será mais rápido e agudo. Por causa disso, eu também chamo isto de “granulação” da distorção (não é um conceito científico, apenas prático). Atualmente eu gosto mais de drives mais granulados (granulação maior). Que fique bem claro que isto que estou falando tecnicamente tem a ver com a clipagem do pedal, mas isso é um tema que tem mais relação com a eletrônica do que com a música, por isso eu preferi explicar analogicamente. Obviamente, cada guitarrista terá suas preferências, sem falar também no estilo que se busca reproduzir.

Concluindo, eu utilizo estes parâmetros para escolher qualquer pedal de distorção, seja valvulado ou transistorizado. É importante lembrar, que não se tratam de regras absolutas e que você deverá adaptá-las às suas preferências e necessidades.

Na verdade, tudo não passa de um roteiro para orientar sua escolha, mas nunca para lhe prender, até porque muitos dos requisitos apontados são extremamente subjetivos.

Um abraço e até a próxima.

Elvis Almeida

Elvis Almeida
http://www.elvisalmeida.com