[Como funciona] Pedal de overdrive ou distorção – Parte 2

Leia todas as partes desta série de artigos:
Parte 1
Parte 2
Parte 3

Como funciona um pedal de overdrive ou distorção - Parte 2

I – Um pouco mais de eletrônica

Já vimos no artigo anterior (não leu ainda? Leia aqui!) como se obtinha a saturação, agora vamos continuar com algumas noções técnicas para enfim explicarmos o funcionamento do pedal de distorção.

1.1 Clipagem da onda (achatamento)

Nos circuitos clássicos o achatamento era proveniente exclusivamente da saturação, ou seja, da submissão do componente ativo a uma amplificação acima de seus limites.

Mas este tipo de achatamento, tem seus complicadores. Um deles é que para se conseguir mais ganho, é necessário criar mais estágios. A cada estágio que se acresce, o circuito fica maior e pode surgir alguns problemas.

Apesar dos transistores e ampops (pequenos cicuitos integrados de amplificadores operacionais) possuírem tamanho reduzido (comparado às válvulas) e ainda que o tamanho não seja um problema, o uso de muitos estágios pode ampliar a possibilidade de surgir ruídos. O circuito também fica mais complexo e com mais variáveis, necessitando de muito mais cuidado no projeto.

O jeito mais fácil e simples de produzir mais distorção, sem criar “mil” estágios (tinha que exagerar pra ficar divertido) é clipar o sinal através de diodos. O diodo, quando usado como “clipador”, corta a cabeça da onda, deixando-a muito parecida com aquela proveniente da saturação.

Com o uso de diodos, os circuitos diminuíram de tamanho, permitindo que em pequenas caixinhas, fossem criadas poderosas máquinas de distorção.

Dava-se início à era das stompboxes!

 

II – O nascimento e a evolução dos pedais de overdrive

Neste cenário novo, a ideia dos fabricantes era reproduzir o mais próximo possível a saturação de um amplificador valvulado “no talo”.

O fato é que a distorção valvulada sempre foi uma referência, especialmente aquela dos clássicos circuitos Fender Bassman e Marshall Plexi. Todo mundo queria um pedal que possibilitasse tirar drives semelhantes em qualquer amplificador, ainda mais pelo fato de que gradualmente, os amplificadores valvulados por questões de mercado (custo para falar a verdade) foram substituídos por transistorizados.

Todos queriam um plexi-in-a-box ou bassman-in-a-box. Desta forma, um dos primeiros pedais de overdrive que reproduziu a saturação valvulada com boa aceitação de mercado foi o Tube Screamer (TS-808), fabricado pela Ibanez (note que até o nome faz referência à válvula).

Este circuito acabou se tornando uma referência no mercado, pois gerava uma distorção aveludada e com voicing semelhante (atenção puristas de plantão, falei semelhante, não igual) a um overdrive valvulado. Rapidamente ele caiu no gosto popular e atualmente, muitos pedais modernos se baseiam no seu circuito. Igualmente popular e rival do TubeScreamer é o Super Overdrive da Boss (SD-1), também uma grande referência em termos de pedais de overdrive.

A corrida pela reprodução de uma distorção valvulada não parou por aí e muitos pedais de overdrive foram criados com este propósito.

A própria Marshall, famosa pelos seus amplificadores Plexi, BluesBreaker e linha JCM (800, 900, 2000), lançou uma linha de pedais onde buscou reproduzir seus timbres clássicos, como o Shred Master. Ainda hoje, a fabricante inglesa mantém no mercado os pedais Guv’nor (estilo Plexi), o BluesBreaker (aqui o pedal ganhou o nome do famoso amplificador) e o JackHammer (estilo JCM).

Clássico é Clássico. O tradicional timbre britânico aos seus pés! Compre já seu EFX Pure Plexi!
Também famoso é o SansAmp GT2, o primeiro pedal a ganhar a denominação de “simulador” de amplificador, onde 3 amplificadores famosos (Mesa Boogie, Marshall e Fender) foram reproduzidos analogicamente em seu circuito (não confundir com os atuais softwares simuladores e pedaleiras com simulação digital).

No Brasil, a empresa EFX Custom Effects, pioneira em pedais handmade, também desenvolveu o modelo Pure Plexi, baseado no famoso timbre Marshall, sendo um dos mais vendidos, dada à versatilidade que este clássico possui. (Conheça o EFX Pure Plexi aqui)

No mercado atual, há inúmeros pedais simuladores e também distorções mais exclusivas. Praticamente é impossível não encontrar um pedal de drive que não te agrade.

Na hora de escolher seu pedal, o importante é avaliar o voicing que você procura e o estilo que você toca. Eu tenho um artigo muito interessante com dicas para a escolha do pedal de distorção. Clique aqui para ler.

Na próxima e última parte (clique aqui para ler) vamos trabalhar mais um pouco de eletrônica.

Até lá!

 

Elvis Almeida Elvis Almeida