[Como funciona] Pedal de overdrive ou distorção – Parte 3

Leia todas as partes desta série de artigos:
Parte 1
Parte 2
Parte 3

Como funciona um pedal de overdrive ou distorção - Parte 3I – Essa eletrônica não acaba nunca?

Já vimos nos artigos anteriores que a saturação é proveniente do excesso de ganho e que a técnica de clipagem é uma auxiliar na produção da distorção. Agora chegou o momento de falarmos das etapas do pedal de overdrive ou distorção.

Basicamente, e isto já foi dito, o pedal de overdrive é um preamp. Afinal, buscava-se reproduzir a distorção que acontecia decorrente da amplificação valvulada.

Primeiramente amplifica-se o sinal de entrada, achata-se (clipagem) e eventualmente equaliza-se o mesmo. A etapa de equalização nem sempre está presente, como exemplo temos o MXR Distortion+, que só possui os controles de level (volume) e gain (drive).

1.1 Etapas do pedal de overdrive

1.1.1 Etapa (estágios) de ganho

Se é necessário saturar (exceder o limite), então é preciso primeiro aumentar a amplitude do sinal. Entenda-se como amplitude o ganho de tensão exercido nas etapas pré-amplificadoras. Aqui o sinal que vem do captador da guitarra da ordem de alguns milivolts atingirá alguns volts (depende do projeto) saturando-se ao máximo para seguir para próxima etapa.

Nesta etapa podem existir um ou vários estágios. Há inúmeros pedais, cada qual com suas particularidades, dentre elas o número de estágios de ganho. Existe também nesta etapa a chamada equalização fixa. É que já na etapa de preamp é possível ir moldando as frequências, definindo um voicing para o pedal.

1.1.2 Etapa de clipagem

É aqui que o sinal é recebido da etapa anterior já em amplitude suficiente para sofrer o achatamento. A escolha do diodo é fundamental para definir a quantidade e o timbre da distorção. A clipagem com LED’s (diodo emissor de luz), por exemplo, achata menos a onda e possui um timbre mais grave. Já um diodo de silício achata mais e deixa o timbre mais agudo.

Então, o tipo de diodo é muito importante e deve ser analisado pelo projetista levando em conta o timbre e demais características do circuito.

1.1.3 Etapa de equalização

Não é obrigatória a existência de controles de equalização, mas em geral, ela é desejada pela maioria dos guitarristas. Nesta etapa, o sinal já distorcido sobre os efeitos de filtros de frequência, que permitem equalizar o sinal de acordo com a preferência do músico.

Há pedais que possuem somente um controle de Tone, outros possuem controles de graves, médios, agudos… etc. Isto varia da proposta do fabricante e dos ajustes que ele faz para obter o timbre necessário.

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1.2 Diagramas de blocos de um pedal de overdrive

Estes artigos não se tratam de um curso de eletrônica então não vamos estudar os símbolos dos diagramas esquemáticos com todos os seus componentes.

Para entendimento do funcionamento de um pedal de overdrive ou distorção basta estudar os diagramas de blocos.

Abaixo na figura 1 vemos os símbolos de cada etapa do pedal:

Símbolos gráficos de um diagrama de blocos

Figura 1

Na figura 2 vemos um diagrama de blocos de um pedal de distorção básico:

Diagrama de blocos de um pedal de overdrive ou distorção

Figura 2

É importante salientar que tal sequência não é necessariamente obrigatória. Há projetos que o fabricante tem mais etapas de ganho, outros clipam o sinal entre as etapas de ganho e por aí vai. Há também fabricantes que inserem uma etapa de ganho após a distorção para aumentar a amplitude da onda. Este estágio final pode ficar ligado direto ou pode funcionar como booster de volume, sendo acionado pelo pé do guitarrista.

Um ótimo exemplo deste recurso pode ser encontrado no pedal Pure Plexi, fabricado pela EFX Custom Effects. Neste pedal, há um clean boost instalado após a distorção e equalização que pode funcionar como um booster independente quando a distorção está desligada. (Saiba mais sobre o Pure Plexi aqui!)

II – Conclusão sobre overdrives

Vimos nesta série de artigos o quando é interessante o funcionamento de um overdrive. Mais interessante ainda é pensar que uma distorção, algo que era inadmissível em matéria de áudio, acabou se tornando a própria voz do instrumento. Hoje é praticamente impossível (até mesmo para quem não toca) pensar no som de guitarra que não seja distorcido. Se pedirmos para um criança imitar o som da guitarra, ela irá tentar reproduzir o drive na sua onomatopeia.

De vez em quando alguém me pergunta qual o melhor pedal de distorção. Sempre respondo que “é o que você gosta”. Entender o funcionamento pode te ajudar a entender melhor o seu gosto e te ajudar na escolha. Ainda pensando em ajudar o leitor na escolha de um overdrive, eu recomendo a leitura de um outro artigo meu que também dá dicas de como achar um pedal que concilie qualidade construtiva com o timbre desejado. Leia aqui a matéria “Como escolher meu pedal de distorção?”.

Com a sensação de missão cumprida, me despeço cordialmente e convido você a assinar nossa newsletter e acompanhar a Central da Guitarra nas redes sociais para acompanhar em primeira mão os nossos próximos artigos.

Nos vemos no próximo “Como Funciona”! Abraço!

 

Elvis Almeida

Elvis Almeida