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[Guia de Sobrevivência] Alto-Falantes: Guitarra – Componentes – Parte 2

O guia definitivo para iniciantes e iniciados em falantes

Por Elvis Almeida
e Christian Castro

Alto-falante - Guitarra - Guia de Sobrevivência - Parte 2

Partes e componentes:

Um alto-falante é composto pelo “sistema de fixação”, “sistema acústico” e “sistema elétrico ou eletromagnético”.

O sistema de fixação é basicamente uma carcaça de metal em formato cônico com espaços vazados para a movimentação do ar. Nesta carcaça que se fixa os demais sistemas.

O sistema acústico é preso num cone de papelão (ou outro material similar), preso à carcaça. Na ponta do cone encontra-se o diafragma, bem ao centro e este preso à bobina. Na borda encontra-se a “aranha”, parte bem flexível presa direta ao cone. A aranha pode ser feita de diversas técnicas, dobradura/chanfradura em papel, borracha e outros materiais flexíveis. No caso de falantes para guitarra é mais comum uma dobradura tipo sanfonada.

O sistema eletromagnético é composto pelo imã e pela bobina. Ao passar os pulsos elétricos (onda sonora convertida e amplificada) pela bobina ela se movimenta (desliza) pelo imã, fazendo com que o cone movimente o ar, reproduzindo o som.

 

“Casando” potências:

Seu amplificador possui uma potência, que no áudio é medida em RMS (Root Mean Square – potência média quadrática ou potência eficaz), que é o produto médio de corrente e tensão. Na prática a potência, mesmo em RMS é somente uma referência, em nada tendo a ver com a pressão sonora produzida pelo falante (volume). Não é raro, encontrarmos amplificadores com maior volume, mesmo sendo ligeiramente menos potentes que outro. A eficiência dos sistemas de áudio depende de inúmeros fatores, sendo a maioria não lineares, e é por isso que existe tanta confusão sobre a matéria.

Independentemente destes complexos cálculos não lineares, podemos concluir que o casamento entre potência máxima do amplificador e do alto-falante é necessário, para evitar-se distorções indesejadas (ao contrário das desejadas como a saturação de preamp e de power).

Os “técnicos” costumam lançar frases prontas do tipo:

– “… o falante tem que ter o dobro de potência do amplificador, se não, queima”;
– “… a potência do falante não pode ser menor que 50% a mais que do amplificador”.

Todas estas afirmativas são verdadeiros “chutes”. Um amplificador de guitarra tem picos muito diferentes de um amplificador de baixo. Um amplificador de um Sistema de P.A., tem picos diferentes para frequências diferentes, e muito diferentes.

Mesmo restringindo a comparação somente a amplificadores de guitarra, os picos variam de projeto a projeto.

Portanto, esta potência extra não possui valor fixo, podendo inclusive haver casamento perfeito com potências iguais entre amplificador e falantes, até porque quando os amplificadores são grandes (100W RMS, p. ex.), raramente se usa o volume no máximo, quando muito em gravações, ou seja, por tempo relativamente curto comparado aos ensaios e shows, que normalmente são as principais utilizações.

Cabe salientar também, que ainda que se utilize um falante de mesma potência que o amplificador, os fabricantes costumam projetar seus equipamentos com uma margem de segurança. Desta forma, falantes de 50W costumam tolerar potências ligeiramente superiores (especialmente os picos).

Quando não toleram, o primeiro sintoma é a distorção do alto-falante.

Acredite… tem gente que gosta desta distorção, e até busca na compra do equipamento. É raro, mas tem guitarrista que casa o falante ligeiramente mais “fraco” que o amp para produzir esta distorção, ainda que levemente, e acha um significado musical para isso, o que seria uma completa heresia para sistemas hi-fi. No entanto, este tipo de utilização pode desgastar o falante prematuramente devido ao uso extremo, danificando-o permanentemente.

Se a energia transferida ao falante é maior do que ela consegue suportar, ela “queimará” a bobina, o que ninguém deseja, pois o conserto muitas vezes fica o preço de um novo.

A questão mais importante da potência do alto-falante é que ela não pode excessiva. Um falante de 300W RMS geralmente não serve para um amplificador de guitarra (mesmo um de 100W), pois via de regra, quanto maior a potência maior a dureza do cone e menor a sensibilidade do falante. Alto-falantes para P.A., por exemplo, possuem sensibilidade muito menor que aqueles para guitarra.

Importante salientar que estamos falando de potência de um único alto-falante. As caixas 2×12, 4×12 e/ou a combinação de várias delas são “outros quinhentos” e abordaremos em outro artigo.

De qualquer modo, o falante deve aguentar o máximo da potência do amplificador e tem que ter sensibilidade suficiente para os baixos volumes.

Para tirar o máximo de proveito de seu falante, é importantíssimo que também haja o casamento de impedâncias, nosso próximo artigo.

Um abraço e até lá!