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[Guia de Sobrevivência] Alto-falantes: Guitarra – Caixas – Parte 4

Saiba porque o projeto mecânico do falante e da caixa acústica são importantes.

Por Elvis Almeida
e Christian Castro

Alto-falante: Guitarra - Guia de Sobrevivência - Parte 4No artigo anterior falamos dos tamanho mais comuns de alto falantes e explicamos os motivos que levam nós guitarristas a associá-los. Repetindo, é tudo uma questão de reunir qualidades, e principalmente, explorar novas características. Antes de falarmos da importância do projeto acústico, segue mais um pouco de informações sobre o tamanho dos falantes.

 

Tamanho dos falantes e características construtivas

Seis, oito, dez, doze polegadas… estes são os principais tamanhos de woofers usados para guitarra.

6” geralmente é encontrado em amps muito pequenos e destinados a estudo. Falantes de 8” também costumam ser utilizados em amps pequenos, mas com perfil voltado e às vezes suficientes para ensaios e pequenas gigs. 10” é usado em alguns amplificadores, mas é o de 12” o mais usado, pois tem uma curva de frequência mais ampla, conseguindo fornecer bons graves, médios e agudos (na realidade médio-graves, médio-agudos, mas a gente acaba associando aos controles de equalização de nossos amplificadores).

Não só o material e técnica construtiva têm relevância para a curva de frequência. Por razões da física, um cone de menor diâmetro irá produzir mais ondas sonoras agudas que graves e vice-versa. Mas não adianta nada instalar um falante de 15” ou 18”, pois aí o efeito será contrário. Identificaremos uma ausência muito grande de agudos.

O diâmetro/tamanho dos woofers também guardam uma certa correlação com a potência. Tecnicamente é mais difícil conseguir altas potências para todas as faixas de frequência da guitarra em falantes menores.

Preste atenção, dissemos mais difícil, não impossível. Em engenharia (de qualquer tipo: não é diferente no caso de eletrônica) não dizemos que uma coisa é impossível, apenas “economicamente inviável”. Por isso o falante de 12″ é o mais adequado para guitarra, pois sua curva de frequência é aquele que dão as características timbrísticas que desejamos no instrumento. Eventualmente, um guitarrista irá gostar de um falante de 10″ ou até 8″, mas geralmente, terá que compensar as deficiências de graves destes tamanhos menores através do projeto da caixa acústica.

 

O projeto acústico – caixas para guitarra

Os amplificadores de guitarra são fornecidos em dois formatos: head e combo.

O head é de longe o mais bonito esteticamente e tem a vantagem de permitir que você monte sua caixa do jeito que quiser, mas tem a desvantagem de ter que transportar dois (ou mais) módulos.

O combo, é compacto e prático para carregar nas suas gigs, mas tem a desvantagem de vir de fábrica com as dimensões e projeto acústico já prontos, não tem como inovar muito. O máximo que dá pra fazer neste caso é trocar o falante por outro de mesmo diâmetro, diferenciando somente as outras características.

Melhor dizendo, num combo que tenha 1×12, não dá pra colocar mais um falante dentro da caixa, se quiser explorar novas possibilidades, terá que usá-lo como se fosse um head. Então só se justifica comprar um combo, quando você não pretende variar a quantidade de falantes ligados nele, do contrário, será mais econômico adquirir um head.

Seja o gabinete de um combo ou uma caixa separada (para ligar em um head), é importante salientar que há dois tipos de projetos acústicos para amplificadores de guitarra. Aquele que não utiliza o som que sai pela parte de trás do alto-falante (baffle infinito), e aquele que recupera o som que sai por trás e devolvem aos nossos ouvidos. Entre os que recuperam, ainda podemos dividir em mais dois grupos, as caixas “dutadas” (com dutos) e aquelas que apenas são abertas na traseira.

Pra serve este sistema de recuperação ou reflexão?

Você já deve ter ouvido falar (no seu aparelho de som ou home theater) na expressão bass reflex. Trata-se de refletir as frequências graves que saem nascostas” do falante e devolvê-las para a frente da caixa acústica. Com a técnica de reflexão é possível compensar a deficiência de graves de um alto-falante. Desta forma, um falante pequeno de 4″, num sistema de áudio que não necessita de grandes potências (como um monitor de estúdio de gravação), terá desempenho satisfatório de graves com a utilização desta reflexão.

A reflexão é utilizada em caixas para guitarra?

Sim, mas normalmente nos combos, e muito raramente nas caixas acústicas 1×12. Os combos com qualquer tamanho, têm em média apenas um falante. Por isso, a grande maioria é aberta atrás. O tamanho desta abertura é (ou deveria ser) meticulosamente calculado para que a reflexão seja correta, e que o sinal que saia por trás não fique fora de fase. Se ficar fora de fase, o resultado será a anulação do som da frente e isto ninguém quer.

Mas o principal projeto acústico utilizado em caixas como 2×12 e 4×12 para guitarra é baffle infinito, ou seja, sem nenhuma reflexão. O som que ouvimos sai pela frente do falante. Apesar de não ser um sistema eficiente do ponto de vista mecânico, é aquele que interfere menos no timbre de fábrica do falante, de forma a conhecermos seu verdadeiro potencial.

 

Conclusão

Podemos constatar que não há uma verdade absoluta. O que existe são pequenas regras, características mecânicas e eletrônicas dos falantes que alteram exponencialmente o timbre.

Na prática, a maioria dos guitarristas não se preocupa com isso. Ele vai até uma loja, pluga a guitarra no amplificador e se gostar do timbre leva o equipamento pra casa. Não há nada de errado nisto, pelo contrário, é o que recomendamos sempre.

Portanto, este não é um curso para handmakers. Os conhecimentos teóricos e práticos transmitidos aqui são fundamentalmente dispostos para que você consiga compreender melhor os equipamentos que estão à sua disposição, para que no final consiga tirar o melhor timbre de guitarra possível.

 

Próximo artigo falaremos sobre sensitividade e sensibilidade.

 

Abraço.