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[Guia de Sobrevivência] Alto-falantes: Guitarra – Sensibilidade – Parte 5

Sensibilidade e Sensitividade X (versus) Potência do Alto-falante


Por Elvis Almeida
e Christian Castro

 

Alto-falante: Guitarra - Guia de Sobrevivência - Parte 5Alto-falante: Guitarra - Guia de Sobrevivência - Parte 5Quanto o assunto é volume, muita gente acha que potência é tudo que você precisa saber de um alto-falante. Ledo engano. A relação potência/volume não é linear, isto porque o falante é um dos componentes eletrônicos mais ineficientes que existem. São tantas coisas que interferem no desempenho, que na prática a potência indica muito mais a capacidade de dissipação de corrente.

Neste ponto é importante distinguir sensibilidade e sentividade. Não há consenso entre os autores e muitos misturam as nomenclaturas. Preferimos não entrar nesta discussão acadêmica, pois o importante é o conteúdo (saber que existem estas propriedades nos falantes) e não a nomenclatura.

 

 

Sensibilidade do alto-falante:

Assim como o power possui um ponto de excitação, ou seja, um nível mínimo de sinal para que possa amplificar, os falantes também precisam de um nível mínimo para funcionar direito, ou na sua melhor performance.

Se você ligar um amp pequeno numa caixa muito potente, você irá perceber que inicialmente temos a sensação de que o volume não aumenta. Depois sentimos um aumento abrupto de volume, quando passa de certo nível. Isto ocorre porque no início o sinal gerado ainda não era suficiente para “tocar” o falante, depois que chegou na amplitude suficiente o falante começa a operar normalmente.

Potência e sensibilidade são conceitos diferentes, mas existe uma correlação. Isto se deve ao fato de que para oferecer muita potência o woofer precisa de um cone mais duro para aguentar a movimentação mais extrema e consequentemente fornecer mais pressão sonora. Neste sentido, mesmo que indiretamente, diminui a sensibilidade.

Obviamente, os fabricantes tentam a cada dia melhorar a sensibilidade sem perder desempenho. Por isso, também não é raro encontrarmos falantes potentes e ainda assim sensíveis o suficiente para trabalhar adequadamente com a maior variedade de amplificadores de guitarra.

Como já salientamos, a sensibilidade também não é linear, ela também pode variar de acordo com a frequência. Assim um falante pode ser mais sensível para graves que para médios, por exemplo. Isto explica porque às vezes com volume baixo o timbre “puxa” mais para uma frequência e quando aumentamos o volume, a resposta muda e o som também.

A sensibilidade é um dado que raramente os fabricantes divulgam, pois interessa somente aos engenheiros, principalmente quando falamos de alto-falantes de guitarra. É que a maioria dos fabricantes já fabricam seus produtos com a sensibilidade compatível com a maioria dos amplificadores do mercado.

 

Sensitividade e pressão sonora de um alto-falante:

O maior engano é pensar que para dobrar o volume é necessário dobrar a potência do amplificador. Ocorre que nosso ouvido não é linear, é logarítmico. Diante disso, foi criada uma escala que fracionou esta escala logarítmica em unidades inteligíveis ao ouvido humano, que são os decibéis (dB).

Portanto, por este motivo os falantes são os equipamentos eletrônicos de menor eficiência do ponto de vista de energia, gasta-se um aumento gigantesco de energia elétrica, para aumentar muito pouco a energia mecânica ao final.

Sensitividade (sensitivity) seria a sensação de aumento de volume, ou seja, ganho em dB que o falante pode dar ao som. Assim, mesmo falantes de mesma potência nominal, dependendo do projeto podem ser mais ou menos eficientes. Ou seja, conseguem fornecer mais pressão sonora.

Ao contrário da sensibilidade, a sensitividade é amplamente divulgada pela maioria dos fabricantes nos dias de hoje. Isto porque, com a popularização dos amplificadores pequenos (com potência até 20W RMS) a eficiência de um alto-falante tornou-se requisito indispensável para o guitarrista que pretende usar o mesmo amp em casa, no estúdio e no palco.

 

No próximo artigo vamos abordar as curvas de frequência dos falantes e comentar seus aspectos gerais. Até lá!